Livro: Eu, Christiane F., A Vida Apesar de Tudo


Deixem-me apresentar (embora acredito que conheçam) Christiane F., ou Christiane Vera Felscherinow. Ela ficou famosa, ironicamente através de um livro: A história do fenômeno “Christiane F., treze anos, drogada, prostituída...”, livro lançado em 1979, escrito  pelos jornalistas Kai Hermann e Horst Hieck , e posteriormente adaptado para o cinema em 1981.
Tratava-se do depoimento da adolescente alemã que se prostituía para garantir sua dose de heroína. Você leu? Recorda-se?
Já conhece o novo livro, a 'segunda parte' para alguns? Então vem comigo!












Foi meteórico: Virou livro, vendeu milhões de exemplares, chegou às telas do cinema, ganhou o mundo. E chocou a Alemanha(e o mundo), ao mostrar o retrato de uma juventude à deriva no submundo da então Berlim Ocidental.
Capa do DVD, do filme

Este livro marcou muito a minha vida, eu o li aos 14 anos, e até hoje, não há como negar que, aos 13 anos, Christiane viveu situações, e experiências que muita gente não vive em uma vida inteira... uma chocante realidade, que após 37 anos de seu lançamento, demonstra-se altamente atual em muitos aspectos.
A Segunda parte, a autobiografia intitulada: “Eu, Christiane F., a vida apesar de tudo” (Bertrand Brasil), ela repassa a segunda parte da sua vida, bem menos conhecida do que a primeira.



Capa do meu exemplar de "Eu, Christiane F.,
Treze Anos, Drogada, Prostituída
Escrita com a jornalista Sonja Vukovic. a autobiografia desmistifica a adolescente Christiane F. e relata sua vida adulta, entre drogas, tentativas de desintoxicação, aventuras com estrelas e até uma passagem pela prisão.

No livro, ela também fala do nascimento de seu filho, Philipp, em 1996, e de seus esforços para ser uma boa mãe. Em 2008, porém, ela decide partir para Amsterdã, e as autoridades retiram-lhe a guarda do filho, que é entregue a uma família de acolhimento. 
Logo no primeiro capítulo, quem fala não é a adolescente, mas a mulher de 51 anos, à beira da cirrose, que sofre com uma inflamação permanente no fígado desde 1989 por causa da Hepatite C genótipo 1A, a mais agressiva da Europa. Sem meias palavras, Christiane define a sua situação atual como “uma vida de merda” e compara com os processos de desintoxicação de heroína e cocaína pelos quais passou: “perto disso, a crise de abstinência é uma brincadeira de criança”. 
Apesar de tudo, não há rancor nem revolta no seu relato. Às vezes, uma ponta de arrependimento. Sem autopiedade.
Ao longo dos anos, sua vida foi vasculhada por repórteres e um momento particularmente doloroso para ela foi a perda da guarda do filho, em 2008. Na época, sua mãe deu entrevista a um grande jornal alemão e um amigo recebeu dinheiro em troca de informações. Ela rompeu com os dois e parou de atender os jornalistas. Em dezembro de 2010, Sonja Vukovic trabalhava para o diário “Die Welt” e resolveu bater na sua porta para uma reportagem sobre os 30 anos de lançamento do filme. Christiane atendeu o interfone, disse que estava ocupada, abriu o portão e pediu para que deixasse seu cartão na caixa de correio. Sem muita esperança, Sonja seguiu as instruções. Três dias depois, recebeu um telefonema.
— Ela só me ligou porque respeitei a sua privacidade. Não fiz perguntas aos vizinhos nem mexi na sua correspondência. Quando começamos as entrevistas, ficou claro que ela não estava me encontrando para que eu pudesse escrever uma reportagem. Ela precisava desesperadamente falar com alguém em quem confiasse e queria muito estabelecer uma relação estável com outra pessoa. A cada encontro, ela me fez experimentar a alegria, a dor e o sofrimento pelo qual passou. Várias vezes me pediu ajuda e em pouco tempo conheci sua família, seu filho, seus amigos, seu médico. Após um ano de encontros, nada dela me autorizar a escrever o artigo. Sugeri então fazer um livro em que ela pudesse contar o que tinha acontecido nesses anos do seu ponto de vista. Ela me respondeu: “Ok, vamos fazer isso. Eu nunca pensei que poderia ter uma voz outra vez” .

Tudo indica que a escritora não queria fazer um livro que apelasse para o sentimentalismo barato colocando a personagem como vítima da sociedade ou então uma obra que funcionasse como canal de lobby para uma drogada e ex-prostituta, pintando-a como um mártir ou santa do pau oco. Resultado,o livro é autentico e direto, como a moça alemã. 
Christiane F. , aos 52 anos
Uma das maiores curiosidades de quem leu o primeiro livro nos anos 80, é revelada: Christiane revela a Vukovic que passados mais de 35 anos, ela não conseguiu abandonar  o vício e no momento em que descobriu ter uma hepatite C devorando o seu fígado decidiu contar a sua vida. Ela ‘vomita’ verdades estarrecedoras em sua biografia, entre as quais que com apenas 12 anos já havia provado haxixe, depois mudou para heroína com 13 e aos 14 já estava se prostituindo para poder ‘pagar’ o vício. A tentativa de sua avó, de‘salvar’ a sua vida, a trazendo para morar com ela, o que de nada adiantou, já que Christiane acabou sendo condenada por envolvimento com drogas. A partir daí, colecionou abortos e relacionamentos complicados.
Afirma  também que experimentou todos os tóxicos possíveis e impossíveis, sendo o ecstasy o mais recente. Revela que apesar de ter abandonado a prostituição, jamais conseguiu deixar o vício das drogas o que culminou com a sentença de morte de seu fígado e consequentemente de sua vida num futuro não muito distante.
Christiane diz também que nada doeu mais em sua vida do que a perda da guarda de seu filho, hoje com 17 anos. A Justiça a considerou uma mãe inapta para cuidar da criança (na época).
O livro desenterra as origens familiares de Christiane, ou seja, como era o seu relacionamento com os pais. Ela relata a violência física e moral com que o pai tratava a família,chegando ao ponto de negar que tinha esposa e filha na frente dos amigos.
Enfim, uma leitura muito interessante, com a menina que todos queriam salvar', hoje, uma mulher, mostrando que a vida continua, e que todo o 'sucesso' de sua tragédia, teve sim, um alto preço, sobre muitos aspectos...

5 comentários:

  1. Oi Alê, saudades de vir por aqui.
    Excelente sua resenha!!! Estou bastante impressionada com a história, e que não sei por qual motivo deixei escapar na época. Gosto muito de ler e você que já me conhece do blog, sabe que adoro explorar vários tipos de leitura. Lembro-me que cheguei a ver o DVD do filme nas prateleiras das antigas locadoras, mas nem imaginei que tratava-se de uma biografia. Mas com certeza ainda dá tempo, para então conhecer essa segunda parte da história de vida dessa protagonista real. Com certeza uma leitura que nos trará reflexões de como a vida se apresenta para cada um de nós e que cada uma de nossas escolhas trará consequências boas ou ruins.

    Beijinhos!!!

    http://liza-pink.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Oi, Beth!! Saudade de você por aqui! Leia sim! Eu gostei muito mais do livro do que do filme... Beijos!!!

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  2. Não li o segundo livro, o primeiro foi muito marcante! Uma história de vida triste!
    Beijos!

    Sociedade do Esmalte

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  3. Eu li o primeiro, que é bárbaro, comovente e foi realmente um escândalo para a época, mas muito muito bom para que muitos adolescentes tenham a real ideia de como o mundo das drogas é podre. Estou louca para ler o segundo, tenho certeza que é tão bom quanto. ;) Beijos <3

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  4. Eu li o primeiro, que é bárbaro, comovente e foi realmente um escândalo para a época, mas muito muito bom para que muitos adolescentes tenham a real ideia de como o mundo das drogas é podre. Estou louca para ler o segundo, tenho certeza que é tão bom quanto. ;) Beijos <3

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